Coca-Cola renova identidade visual em 200 mercados
A Coca-Cola lançou um novo sistema de identidade visual global, em rollout para mais de 200 mercados. O projeto foi liderado pela JKR (Jones Knowles Ritchie), com tipografia de Brody Associates, fotografia de Guy Aroch e Anna Palma, e ferramentas de governança desenvolvidas com a Adobe.
A mudança não troca os elementos fundamentais. A ampulheta, o vermelho e a tipografia Spenceriana continuam. O que muda é a hierarquia: o ribbon, introduzido em 1969 e inspirado no contorno da garrafa, ganha protagonismo como elemento unificador em todos os pontos de contato (packaging, varejo, digital e equipamentos).
Coca-Cola Zero Sugar recebe tratamento visual mais forte: tipografia bold, fita preta nas latas, tampas pretas em PET. A intenção é claramente fortalecer a distinção sem perder o guarda-chuva da marca-mãe.

Não é só estética
Junto com o redesign, a Coca-Cola introduz duas ferramentas: um Brand Center imersivo e um sistema de Design Intelligence desenvolvido com a Adobe. Pela descrição, funciona como um design system global com governança automatizada, permitindo que times internos e agências parceiras produzam materiais consistentes em escala.
Isso é o movimento mais interessante do projeto. A Coca-Cola distribui 2,2 bilhões de porções por dia em mais de 200 mercados. Manter coerência visual nessa escala não é tarefa de design, é tarefa de engenharia. A escolha por tecnologias de governança sugere que a marca está tratando consistência como problema de infraestrutura, não de direção de arte.
O TheStreet reportou que o piloto interno, chamado Project Fizzion, começou em maio de 2025 com a Adobe, codificando intenção criativa num formato legível por máquina (StyleID). A nova identidade é o resultado público desse processo.
O que observar
Rebranding de Coca-Cola é evento raro. A marca tem uma das identidades mais reconhecíveis já construídas pela humanidade. Mexer nisso é risco desproporcional ao retorno, a menos que o retorno seja estratégico.
Pelas primeiras imagens, a leitura é positiva: estão amplificando o que já é forte em vez de reinventar o que não precisava. O ribbon como thread unificador é decisão sensata. A tipografia nova de Brody Associates contemporiza sem romper. O tratamento do Zero Sugar resolve um problema real de hierarquia de portfólio.
O NYT notou semelhança visual com Marlboro em algumas aplicações. Pode ser coincidência ou pode ser direção de arte seekionando a estética do tabaco (bold, vermelho, fita). Vale observar como evolui no rollout.
O risco real não está no design. Está na execução. Se o Design Intelligence funcionar como prometido, Coca-Cola acaba de estabelecer o padrão de como marcas globais gerenciam identidade na era da IA generativa. Se não funcionar, é mais um OPX com logo novo.
Ler a reportagem original (PRINT Magazine / Quartz) ↗
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